A importância do tempo na relação com os recursos

Permitir a agência da criança vai além do espaço e do tempo para que explore os recursos da sala...

A agência da criança começa na liberdade que lhe permite CUIDAR da estética dos seus espaços...porque a estética vai muito além do visível, do espaço e dos recursos que o educador trás para a sala.


A criança quando se envolve nessa organização estética, aprende a valorizar a relação entre objeto-espaço-tempo e o belo. É preciso promover a beleza, o sentido estético visível e o invisível...


A estética encontra-se na luz, na cor,na transparência, na relação, na ação, no meu que também é o nosso ...hoje foi dia de explorar a estética e o belo, no espaço do atelier...

Levei frascos transparentes e lancei o desafio de arrumar os nossos materiais riscadores.

Organizar por cores foi a ideia do pequeno grupo, primeiro os marcadores, depois os lápis de cera...

A primeira observação apareceu rapidamente...

«As canetas são muito grandes e os lápis de cera muito pequenos, tens um frasco mais pequeno Milena» Vicente, 3A

Não podia deixar de documentar estas conversas, ali perante mim tantos processos cognitivos, tantos conceitos de matemática, diagnóstico e resolução de problemas...São estes momentos que desvendam os processos de aprendizagem que noutras ocasiões não consigo aferir...

A documentação que faço ao longo da ação altera o rumo das vivências,tento sempre responder ás expectativas da criança e levo em linha de conta as suas sugestões, assim acordei com aquele pequeno grupo que levaria frascos mais pequenos em breve!

No meio desta arrumação de materiais, apresentei num novo tipo de riscador!
As barras de giz pastel!
Duas caixas repletas de cor!

Os espaços e os materiais são recursos repletos de interação, são provocadores, promovem a investigação e a construção de conceitos. O educador deve apoiar, recolhendo novos materiais, dando tempo e espaço para que a criança possa "falar" com esse novo recurso, conhecendo a sua materialidade, entendendo para que serve e como se usa.


Assim, juntei o papel e forrei a mesa do atelier, abri as caixas e deixei que explorassem o material. Sem interferir, exemplificar ou dirigir, fiquei ali a observar, a ESCUTAR, os comentários e aprendi muito sobre a forma como descobrem os materiais e quais os pormenores que reparam primeiro...
«São bons para riscar!» Emily 3A.
«Consigo desenhar, olha Milena» Irina 3A.
«Consigo «apagar» com as mãos os riscos todos!!» Estela 3A.
«Olha Milena fico com as mãos sujas!!»
«São muitas cores, tantas cores!» Sofia 3 A.

E depois?
Depois é preciso permitir que desfrutem do tempo necessário para explorar e investigar os novos riscadores...

Depois, a criança precisa de criar relação entre si e o material, estudanda-o cuidadosamente e de forma prazeirosa...

Sem pensar no produto como meta final...a criança deseja voltar ele uma e outra vez.

É isso que faremos, vamos voltar a usar os novos riscadores!!!

«Ter predisposição para experimentar é a qualidade mais importante no que diz respeito aos materiais. Este modo de pensar impede que os materiais sejam usados sempre da mesma forma e para os mesmos fins.O desafio é, para todos nós, continuar a experimentar, a questionar, a aventurar-nos pelo desconhecido e pelo que ainda está por descobrir na arte, no brincar e na pedagogia.» 
Sara Del Rio (Grupo de estudos Reggio Emilia -Materiais, despertar a curiosidade e imaginação-)

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