A Casa -um novo projeto a nascer!

Depois das torres e das cidades , o grupo despertou para as casas! «Vamos fazer uma casa?» foi a proposta da I.

Assim nascia um novo projeto dentro da sala.
Cada criança orienta os seus interesses dentro do projeto da forma que lhe parece melhor. Antes de arrancar formalmente com as amplificações reservo alguns dias para observar a forma como  «A Casa» é explorada por cada criança de diferentes formas, em explorações individuais ou em pequenos grupo.
Aquilo que observei foi tão enriquecedor!

«Desenvolver um projeto pede ao adulto a disponibilidade de se colocar quotidianamente em atitude de ESCUTA das crianças, das suas curiosidades e questionamentos, e compreensão daquilo que acontece...» Malaguzzi e Rinaldi.

Algumas das crianças exploram as relações do cuidar e amar, dos papeis sociais e familiares que eles vivenciam em suas próprias casas.


Encontro com frequência, grupos de crianças que exploram as narrativas faz de conta, recriando as histórias, usando como personagens os peluches da cesta das histórias, os tecidos e as caixas transformam-se em casas de diversos tamanhos e formas. Uma máscara surge por estes dias na sala e aparece com ela um lobo mau que aparentemente procura uma casa...

«Observar é um comportamento que exige tempo, repetição: uma única observação nunca é o suficiente para que possamos dizer algo sobre um contexto e interesse específico.»Andrea Pagano

 
Ao interesse pelas casas como refúgio das relações e dos papeis sociais e familiares acrescentam o interesse pelas casas e pelas personagens fictícias que vivem nelas.
Das conversas entre as crianças, nascem diálogos sobre quem habita as suas casas, assim surge a necessidade de registar os elementos da sua família, os pais, irmãos, avós e outros que lá vivem com elas.

Propomos um atelier de desenho.
Há uma figura que se destaca, nestes registos, empurrados pela festividade que está a chegar, todos falam e se concentram no seu Pai.
 
Avançamos nesta exploração e avanço com um atelier de pintura a preto e branco, onde se podem investigar as formas, as relações de tamanho (entre si e o seu pai), a ocupação do espaço da folha como suporte... Proponho como recursos, folhas coloridas como base e um traço apenas a preto (suporte de riscadores diversos, ceras, lápis, marcadores, pincel e tinta preta).
 



 

 
Num olhar atento à execução dos registo observo que existem momentos de desenvolvimento diferentes entre o grupo, fico a conhecer melhor as suas habilidades representativas do esquema corporal, as suas noções de espaço e da prespetiva entre si e o outro, além da forma como dominam os materiais e compreendem a sua materialidade.

«Documentar não significa somente fotografar, mas dedicar algum tempo a rever essas imagens, seguindo os rastos das observações realizadas, para assim, poder elaborar uma interpretação sobre como e o que as crianças estão a aprender...» Kroerger e Cardy

 
Estamos efetivamente perto do dia do Pai e surge no quadro preto um plano para a realização de um presente especial: Vamos fazer uma fotografia do Pai!L.

 
Muitas crianças haviam demonstrado interesse por explorar os panos e tecidos existentes na sala. Assim trouxe para a sala várias camisolas brancas, fotografias (a preto e branco dos pais e filhos) numa moldura, tintas de tecido e o resto nasceu ali mesmo por criatividade e iniciativa das crianças. Todas queres decorar a camisola para o seu Pai. Uno assim as fontes de interesse por um material em concreto com a observação e investigação delas pelos registos do seu Pai.

«O modo como nos relacionamos com as crianças influencia o que as crianças aprendem. O seu ambiente deve ser preparado de modo a interligar o campo cognitivo com os campos do relacionamento e da afectividade. Portanto, deve haver também conexão entre o desenvolvimento e a aprendizagem, entre as diferentes linguagens simbólicas, entre o pensamento e a ação e entre autonomia individual e interpessoal.» As cem linguagens da criança

Trago para a Sala uma nova história, uma história com uma casa e com um Pai muito especial...
 


Ouvem atentos a história, leio apenas as legendas, eles criam a narrativa por detrás das ilustrações, cada um encontra nesta história o «SEU» pai, copiamos a ilustração escolhida por cada um e damos iniciamos à execução do nosso painel sobre o pai.  Recolhemos as diversas produções, encontramos a relação entre elas e a história de cada pai que ali iremos contar. Colamos imagens, desenhos, pinturas, ilustrações...



Assim segue o projeto «Casa», que vai crescendo lado a lado com os afetos e a criatividade, a curiosidade com os valores e papeis sociais, entre o brincar e o real, nascem tantas narrativas dentro desta «Casa» especial.
Onde iremos a seguir? Não sei mas estou ansiosa por saber!
Milena Branco

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